Todas as vezes que olho para o alto vejo as solitárias estrelas a fazer companhia para a Lua. Todas são damas de companhia eternamente legadas a solidão de si mesmas. A distâncias infinitas, algumas até parecem próximas de outras, mas de perto, todas as estrelas estão inexoravelmente solitárias.
Sempre e eternamente sós mesmo que imaginemos uma infinidade de outros corpos ao redor delas, estes corpos que giram e dançam ao redor delas na mera e vã pretensão de animar. Tristes as estrelas se iludem com a dança e mostram o seu sorriso. O triste sorriso que queima e incinera aqueles que se aproximam demasiadamente. Uma triste e solitária demonstração de afeição.
Uma afeição que nunca será retribuída da forma que os planetas ao redor das estrelas esperam. Estrelas não podem amar sem destruir ao se aproximarem. Destrói indiscriminadamente o que quer que seja, planetas, asteróides, cometas o que for, estrelas sempre aniquilam todos os seres ao qual se aproximam.
Algumas chegam tão ao cumulo da solidão que começam a devorar todos os planetas ao redor. Destruindo, queimando, arrasando tudo e todos. Crescendo até que cheguem ao ponto de se matarem em uma solidão pesarosa e ardente. Uma solidão que queima e consome, que gera uma luz que é quente com todos os amores perdidos que nunca foram alcançados. E sempre esperados.
Pobres são essas que morrem em solidão, pois estas são as covardes, aquelas que não querem correr o risco de se aproximar de outras da mesma espécie. Tolas estrelas que por temerem não arriscam, e por não arriscarem nunca desfrutam da única vez que seriam capazes de tocar algo.
Um pulso destrutivo e definitivo, um vislumbre mortal e sedutor que arrasa com duas estrelas, mas as satisfaz intimamente, infinitamente. E assim, somente assim o tempo parado e silencioso tempo, toda uma eternidade em que as estrelas viveram em sofrimento é compensado em um único instante, de luz fria e fulgurante.
Uma luz fria, satisfeita finalmente de todos os amores, e sem dissabores. Essa luz é a almejada a ser encontrada nos olhos dos amantes, pois estar com o brilho de um alguém sedento de paixão apenas significa que o amor que foi cedido não foi o bastante, apenas significa que a estrela esta crescendo em chamas, e não se aproxima de sua apoteose. Por este motivo, planetas não podem amar estrelas, pois estes nunca compreendem que o brilho tão afável nos olhos das estrelas, é um brilho que trás a morte, é um brilho que só pode trazer o fim. Apenas outras estrelas entendem o sentido do brilho dos olhos. Apenas outras estrelas procuram pela sua luz fria.
Um comentário:
Lindo, Danilo!! ^^
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