segunda-feira, 8 de julho de 2013

O Conto do Senhor dos Lobos e da Rainha dos Pumas. Pt. 3

Quando as coisas ficaram ainda mais acirradas entre o Lobo e a Puma, houve um dia em que eles não se viram. Uma Mudança de Lua na qual a Puma não mostrou seu belo sorriso ao Lobo e este não pode ouvir o som de sua voz. O Senhor dos Lobos precisava de tempo para pensar, precisava de um momento para respirar. Os estratagemas da Gralha já chegaram até onde poderiam chegar, agora cada movimento cabia unicamente aos Animais Nobres e estes se posicionavam para o Banquete.

Foi quando então, depois de tanto tempo o Lobo Rei se viu envolto numa névoa de cheiro doce e lascívo. Uma Raposa, que a muito cortejara o Senhor, chega para fazer um convite. A Raposa sabe ser persuasiva e o Imperador dos Lobos observa com calma. Chega a ser engraçado como uma Raposa de Cabelos Vermelhos e Olhos verdes é capaz de fazer até o mais acre dos odores ter notas de mel e lembrança de cravo. Apenas uma Raposa era capaz de fazer isto, e estava diante do Lobo, bela e sinuosa, como sempre fora, e como sempre seria. Mas o Lobo não mais a via como uma presa, ou uma parceira, pois sempre que se aproximava, que a cheirava, lembrava que uma Raposa em nada se comparava a Rainha dos Pumas, que nem ao menos existia parâmetros para a comparação. E o Lobo então deixou a Raposa com sua lascívia e voltou para sua toca, em seus escuros domínios.

Nos domínios do Lobo ele, assim como a Fênix aconselhou, usou seu dom de ver a distância, de ver além e encontrar coisas que ninguém mais poderia encontrar. Mas não poderia ver a Puma, a Puma deveria ser encontrada e conquistada sem auxílio de seus Dons... Nada de visões do futuro, nada de premonições, nada de controle temporal, se a Puma seria sua consorte ou não, apenas ela e o Tempo poderiam dizer, e o Tempo Guarda Muitas Surpresas. Numa destas surpresas do Tempo o Lobo viu um Lince das Planícies que estava próximo a Puma. Um Lince e nada mais, apenas para conversar, apenas um amigo, mas um amigo que a Puma gostava da companhia, um amigo que estava com a Puma enquanto ele, o Senhor dos Lobos, não estava. E isto perturbou o sono do Grande Senhor. O Senhor era velho e experiente e não deveria temer nada. A Puma era leal e honrada e não dava motivos para ele nada temer. Mas ainda assim, um sentimento revolvia dentro do Lobo.

Sentiu ciumes, pela primeira vez em muito tempo, sentiu ciumes, e isto o perturbou, pois ele nada tinha com a Puma, e esta era livre para fazer o que bem quisesse, ir e vir, e isto era o direito dela. Então em seus escuros domínios, resolveu planejar seu banquete. Armou o prato, preparou o lugar, escolheu o dia de Saturno, pois neste dia as coisas que são colhidas são colhidas com mais dor, e as vinganças tem mais sabor. Escolheu tudo e preparou cada momento, ele pretendia surpreender sua Puma, neste dia, com uma jogada de mestre, digna de um verdadeiro Nobre. Ele preparou, e ele sorriu.

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