segunda-feira, 15 de julho de 2013

O Conto do Senhor dos Lobos e da Rainha dos Pumas Pt. 4

É chegada a hora, o dia do banquete estaria ali, carne para ser servida e uma caçada bem planejada. Chegada a hora do banquete, a Gralha pensa que vai se refestelar com os restos que a Puma deixará, a Gralha grasna e crocita e sua consorte a Garça vem para o banquete e todo o circo esta armado. O Lobo Imperador fez aquilo que costumeiramente fazia, preparou o campo, cercou a presa e a deixou indefesa. A Puma Rainha, aquilo que sabia, correu e saltou, mordeu a jugular e soltou. Isso teria sido o bastante, mas a Rainha queria mais, e muito mais, ela esperou a Garça mordiscar as feridas da Gralha para que pudesse se aproximar sem ser notada, então feriu como poderia e rasgou ainda mais... Uma Gralha estilhaçada. 

O Senhor dos Lobos era um Soberano de respeito e fez apenas o corte que era necessário, para que a Gralha pudesse voar e lembrar. Não mais do que isto, não menos também. A Rainha feliz como estava riu, cantou e dançou, e planejava rir, cantar e dançar ainda mais. Então a Rainha e o Lobo Soberano foram para o local onde ela encontrou o Lince e o Lobo uivou pela primeira vez. O Lince, um bom Lince, Gentil Lince, mas um Lince e Nada Mais e o Lobo viu isto, e viu mais.

Então o Lince deu seu nome e daria seu selo, se o tivesse, para o Lobo, e o Lobo tomou o nome e a Lembrança do Lince para consigo, e o Lince não era seu inimigo, não era motivos para se preocupar, pois além de tudo o Soberano dos Lobos via o Lince, para além das barreiras dos dias o Lobo via o Lince e olhou para a Puma Imperatriz e nada viu, apenas ela ali diante dele e nada mais. Então, num afago tenro o Lince toma a Puma nos braços e a beija e o Lobo Uiva pela segunda vez, e o Uivo é ouvido nas Terras dos Homens e os Homens Leais e Fieis ao Lobo Imperador ouviram seu clamor. E vieram ao seu encontro. 

Então os Nobres senhores dos Homens, os que aprenderam a falar com os Animais e tinham no Lobo Nobre um amigo e um irmão foram com ele para tavernas e mais tavernas e ele riu e refestelou e então desafiou muitos e muitos outros. Qualquer um acreditaria que o Lobo estava cometendo um suicídio enquanto a Puma Imperatriz estava com o Lince, mas o Lobo dentre os Lobos estava apenas se divertindo, fazendo aquilo que mais sabe fazer, causando dor e bebendo e assim ele pode clarear a mente, e pensar mais a frente e dar mais um passo. 

No dia após o banquete, a Puma sofreu, um Seta de caçador feriu um alguém pelo qual ela tinha apreço e por ter apreço e ser nobre a Puma Sofreu e por sofrer o Lobo também sentiu e o Lobo que era um Soberano de Muitos Mundos se ofereceu para cuidar dos ferimentos e tratar o espírito, mas a Puma se negou, o Ciclo era forte nela e ela queria que apenas aquilo que tivesse que ser fosse. 

A Puma ainda sofreria, e o Lobo sabia, não poderia ver a Puma, mas via que a dor viria. E isso angustiava o Lobo, que ainda amava a Puma e enquanto ele ainda não pudesse ver a passagem do tempo não iria desistir, enquanto ela não desse a Ordem ele persistiria...

segunda-feira, 8 de julho de 2013

O Conto do Senhor dos Lobos e da Rainha dos Pumas. Pt. 3

Quando as coisas ficaram ainda mais acirradas entre o Lobo e a Puma, houve um dia em que eles não se viram. Uma Mudança de Lua na qual a Puma não mostrou seu belo sorriso ao Lobo e este não pode ouvir o som de sua voz. O Senhor dos Lobos precisava de tempo para pensar, precisava de um momento para respirar. Os estratagemas da Gralha já chegaram até onde poderiam chegar, agora cada movimento cabia unicamente aos Animais Nobres e estes se posicionavam para o Banquete.

Foi quando então, depois de tanto tempo o Lobo Rei se viu envolto numa névoa de cheiro doce e lascívo. Uma Raposa, que a muito cortejara o Senhor, chega para fazer um convite. A Raposa sabe ser persuasiva e o Imperador dos Lobos observa com calma. Chega a ser engraçado como uma Raposa de Cabelos Vermelhos e Olhos verdes é capaz de fazer até o mais acre dos odores ter notas de mel e lembrança de cravo. Apenas uma Raposa era capaz de fazer isto, e estava diante do Lobo, bela e sinuosa, como sempre fora, e como sempre seria. Mas o Lobo não mais a via como uma presa, ou uma parceira, pois sempre que se aproximava, que a cheirava, lembrava que uma Raposa em nada se comparava a Rainha dos Pumas, que nem ao menos existia parâmetros para a comparação. E o Lobo então deixou a Raposa com sua lascívia e voltou para sua toca, em seus escuros domínios.

Nos domínios do Lobo ele, assim como a Fênix aconselhou, usou seu dom de ver a distância, de ver além e encontrar coisas que ninguém mais poderia encontrar. Mas não poderia ver a Puma, a Puma deveria ser encontrada e conquistada sem auxílio de seus Dons... Nada de visões do futuro, nada de premonições, nada de controle temporal, se a Puma seria sua consorte ou não, apenas ela e o Tempo poderiam dizer, e o Tempo Guarda Muitas Surpresas. Numa destas surpresas do Tempo o Lobo viu um Lince das Planícies que estava próximo a Puma. Um Lince e nada mais, apenas para conversar, apenas um amigo, mas um amigo que a Puma gostava da companhia, um amigo que estava com a Puma enquanto ele, o Senhor dos Lobos, não estava. E isto perturbou o sono do Grande Senhor. O Senhor era velho e experiente e não deveria temer nada. A Puma era leal e honrada e não dava motivos para ele nada temer. Mas ainda assim, um sentimento revolvia dentro do Lobo.

Sentiu ciumes, pela primeira vez em muito tempo, sentiu ciumes, e isto o perturbou, pois ele nada tinha com a Puma, e esta era livre para fazer o que bem quisesse, ir e vir, e isto era o direito dela. Então em seus escuros domínios, resolveu planejar seu banquete. Armou o prato, preparou o lugar, escolheu o dia de Saturno, pois neste dia as coisas que são colhidas são colhidas com mais dor, e as vinganças tem mais sabor. Escolheu tudo e preparou cada momento, ele pretendia surpreender sua Puma, neste dia, com uma jogada de mestre, digna de um verdadeiro Nobre. Ele preparou, e ele sorriu.

segunda-feira, 1 de julho de 2013

O Conto do Senhor dos Lobos e da Rainha dos Pumas Part. 2

O Tempo passava e os debates entre a Rainha e o Soberano sempre empatavam. Nenhum dos dois queria ceder, nenhum dos dois queria recuar, e a derrota os impediram  de se ver, de uma vez e para sempre. Nenhum dos dois Nobres poderia aceitar esta ideia, ambos apreciavam a presença um do outro e ambos travavam combates para estarem perto um do outro.

Depois de cada grande embate a Puma Rainha voltava para a sua toca, onde planejava para o dia seguinte, onde pensava sobre o dia que se passara, onde podia comandar seu reino e ser feliz ao lado de seu consorte. Um Leopardo que vivia aos arredores, não tão nobre quanto a Rainha, mas o bastante para tê-la cativado, e quando a Rainha queria descanso podia encontra-lo junto ao Leopardo. Neste instante que a Gralha atacou, neste instante que a Gralha fez seu primeiro movimento, junto a Rainha, a Gralha gritou e gritou e fez a Rainha duvidar, e ao duvidar seu coração ficou dividido e partido. Nenhum Soberano pode manter consortes com corações divididos, mas a Gralha não queria um coração inteiro, para ela apenas meio coração bastaria, ou ao menos era assim que ela imaginava.

A Puma Rainha deixou seu consorte, pelo plano da Gralha, pela presença do Lobo, pela dúvida em si, a Senhora dos Pumas não mais podia sustentar tudo isto, a Rainha dos Pumas precisava pensar e reagir. E foi isto que ela fez. Juntou seu conselho e fez seus conselheiros trabalharem, uma Rainha não pode ser dividida, uma Rainha precisa ser mais forte que todos para poder governar a todos. Então no seu conselho a Outrora Rainha dos Pumas pode falar à sua filha as palavras de Sabedoria que apenas os que viveram mais são capazes. A Outrora Rainha dos Pumas não falou do Lobo ou do Leopardo, mas dela e da Gralha, e mandou ter mais cuidado. E assim foi feito.

No outro lado do Grande Território, o Lobo estava em seus escuros domínios. Em sua caverna, onde nenhum som se propaga e poderia ouvir o seu pensamento ecoando pelas paredes. O Lobo também estava confuso, não sabia por que ou como chegara até onde estava. O Lobo Soberano era de longe mais velho que todos os outros animais a quem comandava, mas ainda assim sempre haveriam coisas novas a serem vistas, coisas que mesmo um Nobre ainda não vira. A Rainha dos Pumas foi uma destas surpresas. Em seus escuros domínios viu que a Puma estava com coração partido, e um Nobre não pode firmar morada em corações estilhaçados, devia esperar, e talvez não existisse espaço para o Senhor dos Lobos quando o coração da Rainha estivesse no lugar novamente, a Rainha deixou seu consorte, mas não a memória dele. Foi neste momento de digressões que a Gralha chega ao lobo, e fala da imaturidade da Puma, que é passional e jovem e que isto pode machucar tanto ela mesma quanto ao Nobre Lobo.

O Lobo ouviu as palavras da Gralha, o Lobo sempre ouvia aqueles que não eram nobres, pois é isto que um Nobre faz, mas disse então que não seria necessário que a Gralha se preocupasse. O Lobo era velho e antigo, e sabia o que fazia, não sairia machucado se era esta a preocupação da Gralha e se não fosse, não deixaria que a Puma saísse ferida. Então o Lobo Soberano dispensou a Gralha e convocou seus conselheiros. Foi quando veio a Fênix o mais antigo dos conselheiros do Soberano Lobo o mais confiável de todos e a Fênix o aconselhou.

Nos Domínios da Puma esta descansava e era ela mesma, e pensava no que a Gralha fez com ela, e isto a enfurecia, e enfurecia ainda mais por ter confiado na Gralha, e então começava a salivar com o sabor da vingança e sua saliva era veneno, e suas palavras eram fel e estas seriam usadas contra a Gralha, para tortura-la, devagar, tortura-la sempre, tortura-la cruelmente. A Puma Rainha não suportava Gralhas que faziam as vezes de Coruja, ou tentavam tomar o lugar de Corvos, A Rainha não conseguia admitir a ideia que alguém se fizesse de algo que não era e tentasse se aproximar para manipula-la. A Rainha estava sedenta, e apenas Sangue aplaca a sede dos Animais Nobres.

Até mesmo o Soberano Lobo surpreendeu-se com as atitudes da Rainha, e esta o ameaçou, mandou o Lobo Alpha ter cuidado para que não sobrasse veneno para ele também. O Lobo que fora anteriormente amante de uma Serpente nunca temeu veneno, mas poderia viver sem essa intoxicação, ao menos por hora, era necessário, ao menos por hora, A Rainha não amava nada além da vingança e quando uma Puma entra em caçada o melhor a ser feito, e deixa-la caçar.