segunda-feira, 23 de maio de 2011

Espelhos Quebrados


Os sonhos são lembranças esquecidas dos fragmentos de tempos que ainda não vieram. Sonhos são pequenos espelhos aonde vemos pequenas partes de cada um de nós. Pequenos pedações de um nós que somos eu. Pequenos pedações de formas díspares.

Formas que não são perfeitas, formas que não são eu, mas devem formar a mim, formar a nós, nós por que somos todos os eus que habitam em mim, todos os eus que não nos forma.

Através do sonhos é que chego a minha realidade. Chego a forma disforme que sou eu. Contemplo a figura belíssima de espelhos reluzentes que quando refletem a mim mesmo, formam a figura de uma galeria de espelhos infinitos.

Uma casa de espelhos que não me refletem. Uma galeria de espelhos com paredes de cristal, paredes de areia derretida e polida. Paredes que formam infinitos reflexos distintos do mesmo ser.

Um ser que se reconhece na não existência de mim mesmo. Um ser que se metamorfoseia, se transmuta, se forma e anseia. Anseia, precisa, necessita, um ser que nem mesmo pode se reconhecer, mas pode ser reconhecido. Um alguém que mesmo nunca chegando a ser ninguém,por ser visto como um qualquer completo, completo na fratura de seu todo.

Fraturas estas que não existem dentro do próprio ser, dentro deste ser, todos os pedações caóticos, não montam uma criatura só, mas formam os seres dispersos que habitam dentro desse alguém. Seres que foram nós, nós que somos nada além de pequenos pedaços de espelhos quebrados.

segunda-feira, 16 de maio de 2011

A Luz Fria das Estrelas

Todas as vezes que olho para o alto vejo as solitárias estrelas a fazer companhia para a Lua. Todas são damas de companhia eternamente legadas a solidão de si mesmas. A distâncias infinitas, algumas até parecem próximas de outras, mas de perto, todas as estrelas estão inexoravelmente solitárias.

Sempre e eternamente sós mesmo que imaginemos uma infinidade de outros corpos ao redor delas, estes corpos que giram e dançam ao redor delas na mera e vã pretensão de animar. Tristes as estrelas se iludem com a dança e mostram o seu sorriso. O triste sorriso que queima e incinera aqueles que se aproximam demasiadamente. Uma triste e solitária demonstração de afeição.

Uma afeição que nunca será retribuída da forma que os planetas ao redor das estrelas esperam. Estrelas não podem amar sem destruir ao se aproximarem. Destrói indiscriminadamente o que quer que seja, planetas, asteróides, cometas o que for, estrelas sempre aniquilam todos os seres ao qual se aproximam.

Algumas chegam tão ao cumulo da solidão que começam a devorar todos os planetas ao redor. Destruindo, queimando, arrasando tudo e todos. Crescendo até que cheguem ao ponto de se matarem em uma solidão pesarosa e ardente. Uma solidão que queima e consome, que gera uma luz que é quente com todos os amores perdidos que nunca foram alcançados. E sempre esperados.

Pobres são essas que morrem em solidão, pois estas são as covardes, aquelas que não querem correr o risco de se aproximar de outras da mesma espécie. Tolas estrelas que por temerem não arriscam, e por não arriscarem nunca desfrutam da única vez que seriam capazes de tocar algo.

Um pulso destrutivo e definitivo, um vislumbre mortal e sedutor que arrasa com duas estrelas, mas as satisfaz intimamente, infinitamente. E assim, somente assim o tempo parado e silencioso tempo, toda uma eternidade em que as estrelas viveram em sofrimento é compensado em um único instante, de luz fria e fulgurante.

Uma luz fria, satisfeita finalmente de todos os amores, e sem dissabores. Essa luz é a almejada a ser encontrada nos olhos dos amantes, pois estar com o brilho de um alguém sedento de paixão apenas significa que o amor que foi cedido não foi o bastante, apenas significa que a estrela esta crescendo em chamas, e não se aproxima de sua apoteose. Por este motivo, planetas não podem amar estrelas, pois estes nunca compreendem que o brilho tão afável nos olhos das estrelas, é um brilho que trás a morte, é um brilho que só pode trazer o fim. Apenas outras estrelas entendem o sentido do brilho dos olhos. Apenas outras estrelas procuram pela sua luz fria.

segunda-feira, 2 de maio de 2011

Uma Sofrível Derrota!

Outrora pensei que quando um homem matava outro homem, o que teria ocorrido seria um assassinato. Muito tempo depois, eu vejo que homens podem se tornar heróis ao matar uma grande quantidade de outros homens, mas correndo também o risco de virarem monstros. Qual a diferença? A diferença é de que lado esta o Estado, se contra ou a favor deste homem. Quando contrário, um homem com mais de vinte mortes é tido como psicopata, quando ao lado do Estado, um homem com mais de vinte mortes vira herói.

Heróis e Monstros, são todos iguais, ambos tem em seu peito algo distinto de um coração que pulsa, ambos carregam em seus peitos idéias e ideais. Idéias que não pertencem a esses homens, mas sim a um organismo muito maior, muito mais feroz. Ao organismo que se opõe, os rebeldes chamaram esse organismo de Capitalismo, os Fracos de Opressão, os Fanáticos de Ímpios, e tantos outros de tantos outros nomes. Os aliados chamam esse organismo devorador por muitos nomes também, Socialismo, Religião, Força, Verdade. E então, matam e morrem em nome desses seres tão maiores que eles.

Essas são forças tão intensas que as vezes nem percebemos do que elas são formadas. Elas são formadas e se sustentam em bases e paredes de carne, osso, sangue, suor e lágrimas. Não acredito em homens que dizem que sua primeira vitória é tirar a vida de um outro, pois estão apenas adicionando mais um corpo a sua parede de cadáveres decompostos. Essas paredes de homens mortos que enclausuram tudo aquilo que tocam não nos concede a vitória, mas nos deixam a mercê da derrota. Alguém que comemora a morte de um homem, é um alguém que sofreu uma grande derrota.