
Os sonhos são lembranças esquecidas dos fragmentos de tempos que ainda não vieram. Sonhos são pequenos espelhos aonde vemos pequenas partes de cada um de nós. Pequenos pedações de um nós que somos eu. Pequenos pedações de formas díspares.
Formas que não são perfeitas, formas que não são eu, mas devem formar a mim, formar a nós, nós por que somos todos os eus que habitam em mim, todos os eus que não nos forma.
Através do sonhos é que chego a minha realidade. Chego a forma disforme que sou eu. Contemplo a figura belíssima de espelhos reluzentes que quando refletem a mim mesmo, formam a figura de uma galeria de espelhos infinitos.
Uma casa de espelhos que não me refletem. Uma galeria de espelhos com paredes de cristal, paredes de areia derretida e polida. Paredes que formam infinitos reflexos distintos do mesmo ser.
Um ser que se reconhece na não existência de mim mesmo. Um ser que se metamorfoseia, se transmuta, se forma e anseia. Anseia, precisa, necessita, um ser que nem mesmo pode se reconhecer, mas pode ser reconhecido. Um alguém que mesmo nunca chegando a ser ninguém,por ser visto como um qualquer completo, completo na fratura de seu todo.
Fraturas estas que não existem dentro do próprio ser, dentro deste ser, todos os pedações caóticos, não montam uma criatura só, mas formam os seres dispersos que habitam dentro desse alguém. Seres que foram nós, nós que somos nada além de pequenos pedaços de espelhos quebrados.
